Um saludo aos amigos que gostam de enfurquilhar seja a trabalho ou lazer. Aos paisanos que amam a raça crioula, a melhor entre os eqüinos e fazem de sua convivência com o pingo, arreios, montaria praticamente uma religião das mais sagradas e puras, amadrinhada pelos caudilhos antepassados que se enchem de orgulho ao ver um vivente bem enfurquilhado batendo estrivo com sol

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Hornero, o Rei dos Cavalos!

Estatísticas da progênie de La Invernada Hornero

     Caro leitor do Cavalo Crioulo, tenho tido a satisfação de estudar as linhagens mais importantes da Raça Crioula no Brasil nos últimos 25 anos. Preciso mencionar que todas as descrições e análises que apresento aqui se referem exclusivamente ao Freio de Ouro. Não há estudos relativos às exposições morfológicas da Expointer, o que talvez eu venha a fazer no futuro, a partir de outubro. Quero dizer, também, que não tenho enfatizado o caráter probabilístico-preditivo das análises, mas sim o de contar a história do Freio de Ouro através dos números.     Nesta edição, meu propósito é apresentar os resultados de La Invernada Hornero: o chefe-maior da Raça Crioula no Brasil e – se tenho direito a opinar – também na América. Eu explico. O cavalo n.º 1 do Chile é Casas de Polpaico Estribillo, assim considerado porque 37% de seus filhos participaram no campeonato nacional do Chile e porque é pai de vários campeões (como Reservado, Lechon, Escorpión, Estribillo II, Estimulada e Esquinazo). Se acreditarmos que o Freio de Ouro é uma competição mais exigente do que a chilena, se considerarmos que 38% dos 111 premiados nesta competição eram filhos de Hornero, se lembrarmos ainda que em torno de 33% dos filhos de Hornero contribuíram para sua pontuação no Registro de Mérito; então, sem sombra de dúvidas, Hornero foi um pai muito superior ao grande Estribillo. Além do mais, vale considerar que filhos de Hornero foram campões de 12 exposições morfológicas da Expointer desde 1987 (34%).
     João Vicente Sá me lembra, com muita propriedade, que pelas características e exigências de cada uma das competições (a chilena e a brasileira), não há como comparar verdadeiramente esses dois excepcionais cavalos crioulos pelo fato de terem padreado em países diferentes e em criatórios com estrutura, propósitos e matrizes diferentes. Com o que concordo: Não há como saber! Minha suspeita é que, se os irmãos Bastos Tellechea e Dirceu Pons tivessem importado Estribillo ao invés de Hornero, talvez este texto de hoje não fosse sobre o tordilho, e sim sobre o cavalo preto; eu tenho razões para supor, contudo, que os resultados não lhe seriam tão favoráveis, porque na competição brasileira a morfologia é critério de avaliação.



     Sobre essa questão da morfologia, Mariano Lemanski comentava comigo que a ‘febre’ de importação de chilenos puros que não atendem aos critérios estabelecidos para a raça no Brasil (seleção integral) é injustificável. E que isso deverá afetar a morfologia dos animais brasileiros e, em conseqüência, a sua avaliação nas competições da ABCCC. As evidências que colhemos na análise publicada na edição de dezembro último apontam para essa direção, ao detectar que quanto maior a taxa de sangue chileno, menor a avaliação morfológica. Por isso (e por outras razões também), a análise estatística selecionou como o melhor cavalo para o Freio de Ouro, o híbrido chileno (de ½ a ¾ de sangue). Assim, da ótica do Freio de Ouro, só teria sentido importar animais puros para a reprodução, para a produção de mestiços. Parecem ser esses os critérios adotados por cabanhas vitoriosas como São Rafael, Paineiras, Santa Edwiges, Santa Angélica, entre outras. Não quero dizer com isso que não devêssemos trazer animais do Chile, mas penso que deveríamos trazer apenas os animais de exceção daquele país, que têm condições efetivas de levar o plantel brasileiro a atingir seu objetivo de seleção. E já que me dei o direito de opinar: os chilenos puros produzidos em cabanhas brasileiras (como Itapororó e 38, por exemplo), porque tomam em consideração o equilíbrio entre função e morfologia, estão muito mais aptos a suprir as exigências da nossa competição do que grande parte dos importados d’além Cordilheira dos Andes. Dois bons exemplos disso são ‘Jalisco de Santa Angélica’ e ‘Festeiro do Itapororó’.

DESCENDÊNCIA VITORIOSA

     Para este estudo, analisei a 5ª geração de todos os 111 premiados desde 1982. Além dessa amostra, me baseei na árvore genealógica de 395 animais dos 408 classificados para as finais dos Freios de Ouro de 2000 a 2005. Somadas, as duas amostras contêm 5as gerações de 470 cavalos crioulos.

     Em relação ao papel desempenhado por Hornero, há uma distribuição irregular dos dados na amostra dos 111 premiados desde 1982, que pode ser dividida claramente em duas fases: uma anterior a 1995 e outra posterior. Até aquele ano, 67% de seus filhos eram ½ sangue, fruto de cruzamentos com éguas sem sangue chileno, principalmente rio-grandenses. A partir de 1996, tendem a aparecer com maior freqüência (75%), entre os vitoriosos, filhos seus com em torno de ¾ de sangue. De seus 22 filhos vencedores ½ sangue, 82% obtiveram premiação até 1995. Não houve filhos premiados em 2004 e 2005. Esse quadro é parcialmente explicado pela ausência de Hornero há quase 10 anos. A tendência natural é que, até 2009, apareçam poucos filhos seus entre os premiados, mas devemos continuar a ver seus netos brilhando.

     Entre os 395 animais classificados para as finais dos Freios de Ouro de 2000 a 2005 analisados, estiveram presentes 79 filhos, 125 netos, 65 bisnetos e 13 tataranetos de La Invernada Hornero. Isto é, 72% dos finalistas tinham seus gens e mais da metade eram ou filhos ou netos desse excepcional raçador. Nesse período, iguais 72% de descendentes seus foram premiados (8 filhos, 10 netos e 5 bisnetos). Uma forma possível de ler esses resultados é que, embora a taxa de descendentes de Hornero seja a mesma entre finalistas e premiados (72%), há proporcionalmente maior participação de filhos do que de bisnetos de Hornero entre os ganhadores de ouro, prata e bronze. O que pode significar que quanto maior o grau de parentesco com Hornero, maiores tenham sido as chances de premiação.

     Essa constatação é corroborada pelos resultados comparativos das provas funcionais e morfológicas desses 395 animais. Os filhos têm desempenho superior aos animais com menos ou nenhum sangue de La Invernada Hornero. O Gráfico demonstra que decresce a média funcional à medida que decresce o grau de parentesco com Hornero. O mesmo acontece com o desempenho morfológico, já que a média dos filhos (7,2) é superior ao 7 obtido por netos e bisnetos (os animais sem parentesco com Hornero obtiveram média morfológica de 7,1).

Gráfico 1 – Desempenho funcional médio dos finalistas dos Freios de Ouro de 2000 a 2005 por grau de parentesco com Hornero

     É exatamente isso, também, o que mostra a história do Freio de Ouro. Dos 111 prêmios distribuídos desde 1982, se considerarmos apenas o parentesco em maior grau com Hornero, veremos que, dentre os ganhadores de ouro, prata ou bronze, havia: 42 filhos (38%), 15 netos (14%) e 8 bisnetos (7%) – não havia tataranetos exclusivos entre os premiados. Desses 42 filhos de Hornero, 14 ganharam o Freio de Ouro, 16 de Prata e 12 de Bronze.

     Talvez seja por isso que – quando perguntamos ao Ricardo Pinto Torres (técnico da ABCCC e profundo conhecedor da raça crioula) sobre qual sangue deve ter um produto da nossa criação – ele responda: “Hornero! Sempre Hornero!”

PAI DE BONS PAIS

    Dentre os filhos premiados de La Invernada Hornero, alguns se destacaram também como pais: Nobre Tupambaé, BT Brazão do Junco e Butiá Arunco foram Freio de Ouro e tiveram filhos premiados e finalistas nas últimas 5 edições (ver quadro). BT Faceiro do Junco, BT Butiá e BT Bailongo foram premiados e tiveram vários filhos finalistas. BT Hobby do Junco e Chicão de Santa Odessa não foram premiados, mas seus filhos o foram. BT Delantero, Entrevero Charrua, BT Cara e Coroa e BT Favorito tiveram mais de um filho finalista no período pesquisado.

Animal
Filho(s) premiado(s)
N.º de filhos finalistas entre 2001 e 2005
Nobre TupambaéRico Raco Tupambaé
11
BT Hobby do JuncoLargo da 3 J
Gago de Santa Angélica
1
BT Brazão do JuncoCampana Farrapo

Butiá AruncoDelicada da Água Funda
2
Chicão de Santa OdessaSanta Etelvina Helenita
1
BT Faceiro do Junco
4
BT Butiá
4
BT Delantero
4
BT Bailongo
3
Entrevero Charrua
2
BT Cara e Coroa
2
BT Favorito
2
 QUADRO 1 – Os filhos de Hornero que produziram finalistas ou premiados no Freio de Ouro
     Como já escrevi na edição passada, tanta competência em um só cavalo talvez tenha explicação no processo endogâmico do qual é resultado. Pela concentração de gens, Hornero tem, na prática, dez avós: quatro naturais (Vastago, Noche Buena, Sanción e Coiron III, do qual é também bisneto) e outros seis por consangüinidade (Guarda, Madrigal, Curanto, Alfil II, Angamos e Beduíno 2), todos importantes no Chile, sem exceção. Além disso, podemos hipotetizar que Hornero, além dos naturais, teria outros quatro bisavós extraordinários: Africano, Azahar, Mezcla e Cristal 1.

     Pelo muito que já se falou sobre as qualidades de La Invernada Hornero e por tudo o que foi dito aqui, é que lhe fazemos reverência. A raça crioula é pródiga em cavalos de lei. A cada ano surgem de seis a dez animais excepcionais, a maior parte deles com seu sangue. Desde que chegou ao Brasil, Hornero provocou uma revolução genética, criou uma dinastia. Portanto, já que seu melhor filho é Nobre, podemos proclamar com toda a convicção, como está dito nos versos de Rodrigo Bauer cantados por Joca Martins...

“Desde então, por onde ande, HORNERO É O REI DOS CAVALOS!”
Agradecimentos, pela leitura crítica e pelo retorno, a
Mariano Lemanski (Cabanha São Rafael)
Edilon Xavier de Almeida (Cabanha do Campestre)
João Vicente Sá (Cabanha do Barreiro)Beatriz Pereira (Cabanha Primorosa)

Autor: Prof. Dr. Luís Centeno do Amaral - centenoamaral@terra.com.br
                    Fonte: Sitio São Miguel Arcanjo

CAVALGADA DA LUA CHEIA

Um evento que virou costume por este Rio Grande velho é a chamada Cavalgada da Lua Cheia. Diversas hospedarias de animais promovem um encontro entre os proprietários de cavalos e convidados e saem, estrada a fora e noite a dentro.

Parece que a idéia originou-se de forma meio mística pois, segundo os pioneiros neste evento, a energia que proporciona este astro celestial é muito forte. De toda a forma é uma campereada diferente, sob a luz do luar (quando ela resolve aparecer).

Dentre as cabanhas que promovem tal encontro, a La Paloma, aqui de Porto Alegre, nesta sexta-feira, dia 15 de julho, parte para sua 44ª edição.

Com o apoio da Secretaria Municipal de Turismo a Cabanha, andejando pela Rota Caminhos Rurais da capital gaúcha, visa resgatar as tradições e proporcionar a turistas e moradores uma típica experiência do campeiro em meio ao cenário rural da Zona Sul da cidade.

O passeio a cavalo dura cerca de duas horas, percorrendo avenidas e estradas dos bairros Lageado, Lami e Belém Novo. A concentração dos participantes se iniciará às 19h, na sede da cabanha (Av. Edgar Pires de Castro, 9089, bairro Lageado), e o início da jornada, às 20h.

Informações pelos telefones: (51) 3266 1618 ou 9718 2741, com Joelson Barbosa, proprietário da La Paloma e organizador das cavalgadas. O programa só é cancelado em caso de chuva. Quem preferir um pacote que inclua transporte até a cabanha, guia de turismo e jantar (exceto o aluguel de cavalos) tem a opção oferecida pela Bonete Tur. Informações pelos telefones (51) 3019 0689 ou 9964 7364.

As cavalgadas noturnas da Cabanha La Paloma acontecem sempre na primeira sexta-feira de lua cheia de cada mês e tem atraído, em média, 100 participantes por edição. As próximas edições deste ano ocorrerão dias 12 de agosto, 16 de setembro, 14 de novembro e 09 de dezembro.

Foto: Abrajet RS
Fonte: Blog do Léo Ribeiro

Pilchas


Pilcha é a indumentária gaúcha tradicional, utilizada por homens e mulheres de todas as idades. O MTG disciplina o seu uso e no estado do Rio Grande do Sul é, por lei, traje de honra e de uso preferencial inclusive em atos oficiais públicos. É a expressão da tradição, da cultura e da identidade própria do gaúcho, motivo de grande alegria e celebração em memória do ''pago''.

História 

A origem da indumentária gaúcha data dos primórdios da colonização dos pampas e é resultado da união de influências históricas, sociais e culturais adaptadas à realidade, ocupação e trabalho campeiro.
Historicamente a indumentária gaúcha pode ser dividida em quatro fases, existindo para cada uma a peça feminina correspondente.
Chiripá primitivo (1730-1820)
Braga (idem)
Chiripá farroupilha (1820-1865)
Bombacha (1865 até dias atuais)

A Indumentária

O MTG, reunido na 67ª Convenção Tradicionalista Gaúcha definiu as diretrizes para a Pilcha Gaúcha. Define três tipos de indumentária igualmente para peões e prendas:
Pilcha para atividades artísticas e sociais
Pilcha Campeira
Pilcha para a prática de esportes (truco, bocha campeira, tava, etc)

Pilcha masculina

Bombacha

De origem já descrita aqui. São largas na Fronteira, médias no Planalto e estreitas na Serra, quase sempre com "favos de mel". Necessariamente de cós largo, sem alças para a cinta e com dois bolsos grandes nas laterais. Em ocasiões festivas tem cores claras, sóbrias e escuras para viagens ou trabalho.

Camisa

Cores sóbrias ou claras, com padrão liso ou riscado discreto com gola esporte ou social. Mangas curtas para ocasiões informais ou de lazer e longas para eventos sociais-formais.

Lenço


Atado ao pescoço, de uma ou duas cores ou xadrez miúdo e mesclado. Na cor vermelha, branca, azul, amarelo, encarnado, preto (para luto) e bege. Xadrez de branco e preto é para luto aliviado.

Existem diversos tipos diferentes de nó:
Comum: Simples e ximango
Farroupilha: Três-galhos, amizade, saco-de-touro
Pachola: 2 posições - destro e canhoto
Republicano: Borboleta e dois-topes
Quadrado: Quatro-cantos, rapadura e maragato
Namorado: 3 posições - Livre, querendão e apaixonado
Crucifixo: Religioso

Pala


Diferentemente do poncho, cuja origem é gauchesca e que serve para proteger apenas do frio e da chuva, o pala tem origem indígena e serve para proteger contra o frio, sendo de lã ou algodão, e de seda para proteger contra o calor.

Bota


O uso de botas brancas é vedado.

Guaiaca (espécie de cinto)

Para guardar moedas, palhas e fumo, cédulas, relógio e até pistola.

Esporas


Chilenas" ou "nazarenas" de prata ou de metal.

Tirador

Para lida campeira, sem enfeites.

Colete

Chapéu e barbicacho

Usados como proteção contra o sol. Não é recomendado o uso do chapéu em lugares fechados, como no interior de um galpao.

Paletó

Faixa

Tira de pano, preferencialmente de seda, usada na cintura com o propósito de prender a bombacha.

Faca

Pilcha feminina

Procura não contrastar com o recato da mulher gaúcha, havendo recomendações quanto a mangas, decotes, golas, cabelos, maquiagens, etc.

Traje

Vestido, saia e casaquinho, de uma ou duas peças, com a barra da saia no peito do pé. Pode ser godê, meio-godê, em panos, em babados, ou evasês.

Saia de armação

Discreta e leve, na cor branca, diferentemente da indumentária típica baiana.

Bombachinha


Ciroulas na cor branca, de comprimento até os joelhos. Pode ser rendada ou não.

Meias

As meias devem ser longas, brancas ou beges, para moças e senhoras, admitindo-se as coloridas discretas para as meninas (mirins). As mais maduras podem usar meias de tonalidades escuras.

Sapatos

Os sapatos (pretos, brancos ou beges) podem ter salto 5 ou meio salto com tira sobre o peito do pé, que abotoe do lado de fora, para moças e senhoras. As meninas (mirins) usarão sapatos com tira sobre o pé, tipo sapatilha. Também podem ser usadas botinhas fechadas atendendo as respectivas descrições.

Acessórios

Permitidos - Fichu de seda com franjas ou de crochê, preso com broche ou camafeu, chale (especialmente para as senhoras), brincos discretos, anéis (um ou dois), camafeu ou broche, capa de lã ou seda, leque, faixa de prenda ou crachá, chapéu (em ambientes abertos).
Não permitidos - Brincos de plástico ou similar colorido, relógios e pulseiras, luvas ou meia-luvas e colares. Sombras, batons ou unhas coloridas em excesso, sapatilhas amarradas nas pernas, saias de armação com estruturas rígidas.

Cabelo
O cabelo é preso pela medade, para as meninas (mirim), e para senhoras e moças é feito um cóque, mas sempre com uma "presilha".
Da mesma forma que existe para o peão há para as prendas a pilcha para lida campeira e para prática de esportes, sendo semelhante à masculina, inclusive com bombacha (bombacha feminina).

É vedado para todas as situações, por não fazer parte da indumentária gaúcha:
Bonés e boinas
Barbicachos exclusivamente de metal
Chapéus de couro, palha, ou qualquer outro material sintético
Cinto com rastra (enfeite de metal com corrente na parte frontal)
Botas de borracha ou de lona.

Curiosidades:


O lenço vermelho (maragato) e o lenço branco (ximango) são os mais tradicionais, identificando, na Guerra dos Farrapos (1835-1845), na Revolução Federalista (1893-1895) e na Revolução de 1923, os diferentes lados envolvidos nas contendas. É corrente o uso dessas cores para demonstrar simpatia/concordância com maragatos ou ximangos.

Em determinados Centro de tradições Gaúchas (CTGs) não se permite à participação nos bailes de peões ou prendas que não estejam adequadamente pilchados.

Peão é o homem gaúcho, prenda a mulher gaúcha, guri o menino gaúcho e piá a criança gaúcha.

Pago é a terra natal do gaúcho, querência é onde está morando. É comum ouvir: "Meu pago é o Alegrete mas estou aquerênciado em Rondônia.

A origem do "tchê"


Oriunda do guarani che que significa “amigo”. Interjeição usada no sul do Brasil, no Uruguai, Paraguai e no norte da Argentina; no caso dos países hispânicos se escreve "che".

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A Lenda do Quero-quero

Ave_Quero_quero


A Santa Família, na sua fuga do Egito, preferia viajar à noite, para não ser vista pelos soldados do rei Herodes, que andavam à sua procura, para matar menino Jesus.

De dia, sempre que podiam, os fugitivos entravam em alguma gruta da montanha e lá dentro, livres do calor demasiado do sol, descansavam para que, ao anoitecer, recomeçassem sua penosa jornada.
O burrico só faltava falar. Parecia entender o perigo que a Sagrada Família estava correndo. Não empacava, não ornejava, não fazia o menor ruído ao mudar os passos. É que ele sabia, que sua grande missão era conduzir sua divina carga ao salvamento.

Por outro lado, as aves, mesmo as mais afoitas ao canto, mantinham-se em silêncio, ocultas sob o dossel das ramagens. Suas vozes eram tão discretas, não passavam que cochichos e isso mesmo bem abafados, pelo caridoso desejo de não denunciar a presença dos fugitivos. Até os sapos eram como pedras entre as pedras do caminho, as rãs então, eram como folhas verdes entre as folhas verdes que boiavam nas águas mortas. Não era ouvido o seu coaxo característico.

O quero-quero, entretanto, alheio à todos esses acontecimentos, mais parecia um bicho-carpinteiro e não cessava de gritar à altos brados com a sua voz aguda:

- Quero! Quero!......

Mas aquela não era uma boa hora para "tanto querer" e Nossa Senhora e São José, repararam em seu comportamento inoportuno. Ficava parecendo que o peralta da campanha, tão barulhento, fazia o possível para que os soldados, alertados, fossem especular o que estava passando àquela altura na noite naqueles escuros e desertos caminhos...

Para castigo de ser tão inconveniente, o quero-quero acabou ficando cantando daquela maneira para sempre, alertando sem descanso o lugar onde é encontrado.

Dia 05 (cinco) de outubro é comemorado o "Dia da Ave", esses pequenos anjos que são símbolos dos estados superiores do ser e do pensamento.

Para algumas culturas milenares, os pássaros já foram considerados fadas, intermediários entre o mundo humano e divino, espíritos guerreiros reencarnados e algumas vezes, podiam adquirir aspectos de uma Deusa, como da escandinava Freya ou Rainha da ilha de Avalon Morgana, que também se metamorfoseava-seem ave.

No Rio Grande
 do Sul há um sentinela, um verdadeiro "cão-guardião" do nosso território, que está sempre atento, marchando pelos pampas e que pode prever com antecedência a presença de qualquer intruso: o QUERO-QUERO.

De tanto querer, o quero-quero acabou sendo consagrado como a Ave-Símbolo do Estado gaúcho pela Lei 7418 de 01/12/1980. Mas o pássaro, ainda não satisfeito, continua querendo e, segundo a voz do povo, "querer é poder", hoje é a mais cotada para tornar-se Símbolo Nacional.

A lição que fica da Lenda do Quero-Quero é que deve-se ter muito cuidado com o "querer" demais, pois para o olhar da cobiça, tudo pode ser possuído. A cobiça é uma das forças mais poderosas no mundo ocidental atual. É triste ver que as pessoas muito cobiçosas nunca possam desfrutar do que têm, pois sempre almejam possuir mais. O motor e o plano da cobiça são sempre os mesmos. A alegria é a posse, mas a posse é sempre descontente, tem uma insaciável avidez interior. A cobiça é pungente, porque está sempre obcecada e esvaziada pela possibilidade futura. Entretanto, o aspecto mais sinistro da cobiça é a capacidade de sedar e extinguir o desejo. Ela destrói a inocência natural do desejo, arrasa-lhe os horizontes e substitui-os por uma possessividade compulsiva e atrofiada. É essa cobiça que está atualmente envenenando os homens e a terra, pois o "ter" tornou-se inimigo do "ser". A corrupção em que se encontra envolvida a política nacional é um exemplo claro do que lhes digo.

As riquezas são com razão odiadas por um homem guerreiro, pois um cofre cheio impede a verdadeira glória.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tiro de Laço


"Armo o laço pra sorte 
Levo a saudade engarupada Pra de logo montar armada Vou a ti num doze braças Bem aberto no vento que passas Neste instante em reflexão No pealo ante a paixão Já no solo em debandada"