Um saludo aos amigos que gostam de enfurquilhar seja a trabalho ou lazer. Aos paisanos que amam a raça crioula, a melhor entre os eqüinos e fazem de sua convivência com o pingo, arreios, montaria praticamente uma religião das mais sagradas e puras, amadrinhada pelos caudilhos antepassados que se enchem de orgulho ao ver um vivente bem enfurquilhado batendo estrivo com sol

segunda-feira, 29 de agosto de 2011


RZ Reclusion da Carapuça e Feriado de Santa Edwiges são os grandes vencedores do Freio de Ouro 2011

Público compareceu em peso para conhecer os vitoriosos da 30ª edição da principal competição de cavalos crioulos do país e lotou as arquibancadas em Esteio (RS)

  • Alice Klein | Porto Alegre (RS)
Atualizada em 29/08/2011 às 11h27
Juliana Ramiro
Foto: Juliana Ramiro / RuralBR
Os ginetes dos machos vencedores foram Milton Castro, Maurício Niquel e Daniel Waihrich Marim Teixeira
Após uma disputa acirrada até o último minuto, o macho Feriado de Santa Edwiges e a fêmea RZ Reclusion da Carapuça conquistaram o Freio de Ouro 2011. A final da competição ocorreu neste domingo, dia 28, em uma tarde marcada por chuva e sol, durante a Expointer, em Esteio (RS).

Legenda: Pódio dos ginetes das fêmeas vencedoras
O último dia do evento contou com a participação do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. O público compareceu em peso para conhecer os vitoriosos da 30ª edição da principal competição de cavalos crioulos do país e lotou as arquibancadas no Parque de Exposições Assis Brasil para assistir ao show de genética, habilidade e beleza.
 
Legenda: Governador do RS, Tarso Genro
Os ganhadores foram os animais que melhor conciliaram atributos morfológicos e funcionais durante as provas. De acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), 1.469 animais participaram das seletivas. Foram 62 credenciadoras e 12 classificatórias, com disputas realizadas por todo o Brasil, e também na Argentina e Uruguai. Entre quinta, dia 25, e sábado, dia 27, ocorreram as provas preliminares, que apontaram os 28 conjuntos mais bem pontuados, 14 machos e 14 fêmeas, para disputarem a decisão neste sábado.
Antes de iniciarem as provas de MangueiraBayard-Sarmento e Paleteada, foi realizada uma homenagem especial pelos 30 anos do evento, onde os ginetes vencedores receberam medalhas e os aplausos do público.

 
Legenda: Homenagem aos 30 anos do Freio de Ouro
A prova de Mangueira, iniciada às 13h, deu início à finalíssima. Entre as fêmeas, não ocorreram mudanças na liderança. Com a melhor prova entre todos os conjuntos, Fantasia Cala Bassa continuou na primeira posição. RZ Reclusion da Carapuça e AS Malke Punhalada seguiram em segundo e terceiro lugares. O destaque entre as fêmeas foi o conjunto Respeitada da República, que saiu da décima posição para o sexto lugar. Entre os machos, ocorreram muitas mudanças na classificação ao final da prova dos machos, com JCL Descuido assumindo a primeira posição. Feriado de Santa Edwiges teve uma recuperação espetacular, já que começou o dia em oitavo lugar e acabou a prova em segundo. Em quarto lugar, ficou RZ Revuelto da Carapuça, que antes estava na liderança provisória.
O espetáculo seguiu com a prova Bayard-Sarmento. Entre as fêmeas, não houve alteração nas duas primeiras posições. Fantasia Cala Bassa seguiu em primeiro e RZ Reclusion da Carapuça em segundo. Joaquina da Bezinha subiu da quinta para a terceira colocação. Herança do Carrachi ficou em quarto lugar e AS Malke Punhalada caiu para quinto lugar. Entre os machos, JCL Descuido ficou em primeiro, seguido de Faceiro do Recanto Crioulo, e de RZ Reclusion da Carapuça, que ficou em terceiro lugar.
Paleteada foi emocionante, fechando o dia de disputas com uma reviravolta. Entre as fêmeas, o conjunto RZ Reclusion da Carapuça e Guto Freire venceu o Freio de Ouro, com 20,967 pontos. Fantasia Cala Bassa, do ginete Marcelo Rezende Móglia, ficou com 20,800 pontos e levou o Freio de Prata. Capanegra Jocasta, do ginete Lindor Collares Luiz, ficou com o bronze, com 20,099 pontos. A grande final contou com mudanças de resultados na última corrida. Na disputa dos machos, teve ainda mais emoção. O conjunto Feriado de Santa Edwiges e Milton Castro levou o Freio de Ouro, com 20,107 pontos. A prata ficou com JCL Descuido, do ginete Maurício Niquel, com 20,095 pontos. E o bronze deste ano ficou com RZ Revuelto Cristal da Carapuça, do ginete Daniel Waihrich Marim Teixeira, com 20,072 pontos.
 
Legenda: Tarde foi marcada por chuva e sol
Os jurados que avaliaram os machos foram Álvaro Dumoncel, Felipe Malfatto Fleitas e Rodrigo Albuquerque Py, tendo como reserva Rouget Gigena Wrege. Já as fêmeas foram julgadas por André Luis Narciso Rosa, Cássio Souza Bonotto e João Luis Arísio, com Jorge Aginelo do Nascimento como reserva.

Veja os classificados:
FÊMEAS
1º lugar
RZ Reclusion da Carapuça, box 18
Cabanha Profecia, Parobé (RS)
Ginete: Cézar Augusto Schell Freire
Nota: 20,967
2º lugar
Fantasia Cala Bassa, box 44
Cabanha Cala Bassa, Aceguá (RS)
Ginete: Marcelo Rezende Móglia
Nota: 20,800
3º lugar
Capanegra Jocasta, box 42
Cabanha Capanegra, Dom Pedrito (RS)
Ginete: Lindor Collares Luiz
Nota: 20,099
MACHOS 

1º lugar
Feriado de Santa Edwiges, box 51
Cabanha Santa Edwiges, de São Lourenço do Sul (RS)
Ginete: Milton Castro
Nota: 20,107
2º lugar
JCL Descuido, box 88
Condomínio Descuido, Cabanha São José e Gilbert Munhoz, de Butiá (RS)
Ginete: Maurício Niquel
Nota: 20,095
3º lugarRZ Revuelto Cristal da Carapuça, box 70
Fazenda Tarumã e Estância da Conquista, Julio de Castilhos e Lavras do Sul (RS)
Ginete: Daniel Waihrich Marim Teixeira
Nota: 20,072
fonte: canal rural

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Requinte dos aperos de época


Fiador chapeado de prata, símbolo de uma época de luxo nos aperos, hoje caído em desuso.


Garrão de potro

Detalhe do facão caroneiro  

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

  

ABCCC entrega convite do Freio de Ouro ao governador do RS
 
 
Foto: Divulgação
Davis e Sarmento entregaram a Genro um convite para o Freio de Ouro
 
 

Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011 -Em encontro realizado na tarde do dia 10 de agosto na sede do palácio Piratini, em Porto Alegre/RS, o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), Manuel Luis Sarmento, entregou ao governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, um convite para a 30ª edição do Freio de Ouro, que será disputada em Esteio, entre os dias 25 e 28, dentro da programação da Expointer 2011.

Também estavam presentes na ocasião o secretário de Agricultura, Pecuária e Agronegógio do Estado, Luiz Fernando Mainardi, e o ex-presidente da ABCCC e coordenador da comissão de planejamento da entidade, Roberto Davis Junior. Além do convite, os representantes do cavalo Crioulo entregaram ao governador e ao secretário um relatório de investimentos feitos pela Associação no Parque de Exposições Assis Brasil nos últimos cinco anos, assim como uma cópia do pré-projeto de qualificação dos espaços da raça no parque.

De acordo com o presidente da ABCCC, a reunião teve um saldo positivo tendo em vista o apoio do governo às ações da entidade. “Considero que foi um avanço grande, o governador atendeu a ABCCC, garantiu a presença no Freio e ficou muito impressionado com a organização da Associação. Ainda temos um período longo pela frente, mas vamos seguir trabalhando em cima dessa viabilidade”, disse.



Fonte: ABCCC



CERCA DE PEDRAS


Velha cerca de pedra
do tempo da escravidão
que vem, cravada no chão,
como contorno do pampa.
A monumental estampa,
guardiã de velhos mistérios,
já serviu de cemitério,
a negros e guerrilheiros
delimitando os potreiros
do hextremo-sul do hemisfério

A solidez do granito
é igual á gente gaucha
forjada a lança e garrucha
na pampa meridional
pois nem o pior bagual,
no mais bárbaro corcovo,
chega a acovardar o povo
nascido aqui no garrão
que sai de dentro do chão
e volta pro chão de novo

Cerca de pedra cinza
que o tempo pintou de limo.
Velho muro arrimo
de tradição gauchesca.
na relíquia barbaresca
das pedras enfileiradas
a história fossilizada
deixa a eterna lembrança
num monumento á herança
das almas antepassadas.

Muralha que a antiguidade
deixou plantada na terra.
Trincheira de muitas guerras
esculpida em pedra bruta.
restaram marcas de luta
no esteio milenar,
demarcatório sem par
de tantas revoluções,
mostrando pras gerações
que veio para ficar.

Autor: Érico Geovani da Silveira Pires -

Foto: Do blog Antigo Caminho das Tropas
Local: Rio Divisa, em São José dos Ausentes
fonte: blog do léo 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Angulações do Cavalo Crioulo




CAVALO CRIOULO


O PARALELISMO.               



O cavalo expressa sua magnitude através do movimento.

O Cavalo Crioulo desempenha funções que dependem de uma gama de movimentos  rápidos e variados em amplitude, direção e um equilíbrio que exigem duas características essenciais :

1 A aptidão moral ou de  caráter ( funcionalidade), intrínseca de seu temperamento revelando disposição e vontade,  que o levam a executar os movimentos exigidos de forma franca.

2 As  Características morfológicas corretas e harmônicas de suas angulações , que por sua vez  dependem de um complexo sistema de alavancas  e alinhamento de seus eixos de força  garantindo a melhor performance com  elasticidade, explosão e equilíbrio na execução dos movimentos.

Há animais que sua aptidão de caráter supera suas limitações morfológicas , conseguindo executar movimentos  exigidos mesmo sem a correção necessária de suas angulações ,mesmo que para tanto, lhes seja exigido  um dispêndio maior de energia.

Entretanto esses  animais são a exceção da regra  e, com certeza terão uma vida útil menor, pelo desgaste inevitável de suas articulações ocasionado pelo desiquilíbrio de seus eixos de força .

É dessas correções e harmonias que tentarei tratar neste post, dando sequência ao tema de angulações de paleta abordado superficialmente na postagem de 22 de março de 2011 “ A Importância da Angulação de Paleta”.

Andrés Sanson , zootecnista  francês ,estabeleceu pela primeira vez a LEI DO PARALELISMO DAS ALAVANCAS, descrevendo  a harmonia dos eixos de força do cavalo, independente do seu uso ou de sua função.

O conceito foi  expressado da seguinte forma : “ cada uma das alavancas ósseas que fazem parte dos membros, qualquer que seja sua forma, está teoricamente representada por uma linha reta imaginária que passa  unindo o centro  das articulações, isto é,  os pontos centrais de sua articulação.   Essas linhas retas são verdadeiros pêndulos oscilantes no momento do movimento de um ou outro ponto ou de ambos sucessivamente.”

Em decorrência  dessa semelhança , essas linhas imaginárias ( prolongamento das alavancas), são exatamente paralelas entre si : as oblíquas com as oblíquas, as verticais com as verticais tanto no trem anterior como no posterior.

As correlações anatômicas ou morfológicas, são perfeitas pela semelhança dos ângulos formados pela extensão das linhas imaginárias das alavancas em sentido inverso.

O desequilíbrio dessas linhas articulares não passa  desapercebido  na  avaliação visual de qualquer  selecionador,  já no caso de animais de alto nível de correção,  a avaliação requer um Olho clínico mais apurado e experiente , e em último caso apela-se à  biometria .

A  correção e harmonia das angulações, estabelecidas pela Lei do Paralalismo deve ser uma preocupação constante do selecionador atento. A pressão da seleção nesse aspecto deve ser forte,  sob pena da perda constante da qualidade do plantel pela falta de  equilíbrio nos produtos de modo generalizado.

É comum a constatação de manadas que gradualmente vão perdendo os atributos da harmonia e do equilíbrio morfológico , pelo uso de garanhões deficientes nessas características  mas que aparentemente são “lindos” , alguns até premiadíssimos ( como é o caso da figura 1).

                                          FIGURA 1  DESEQUILIBRIO

O que agrava ainda mais o problema  do desequilíbrio, é que embora não se saiba com exatidão quais os genes envolvidos na herança genética de tais características, temos a certeza  que a quantidade e a  complexidade de combinações de genes que as determinam,  são grandiosas, o que nos leva a conclusão óbvia da dificuldade  em termos de  correção .  Os pequenos desvios iniciais geralmente são relevados, quando a produção se destaca em outros caracteres.
No entanto eles vão se agravando com o passar das gerações causando defeitos como o " sobre si de diante" , o"acampado" etc, determinando um inevitável decrescimo no desempenho  funcional, além de uma silhueta comprometida.     

O interessante do Paralelismo, é sua aplicação para todos os tipos de função, desde o tiro até a carrera, nas mais variadas raças.

No caso do cavalo de tiro por exemplo, onde o ângulo escápulo  umeral  é mais aberto  assim como coxo femural , nunca fugindo do princípio das linhas paralelas e da semelhança dos ângulos formados pelas alavancas  .
No cavalo de sela ocorre ao revés, assim como no cavalo de carrera  mas sempre obedecendo a semelhança nos ângulos e linhas paralelas nas alavancas .

A aplicação da Lei do Paralelismo na seleção de cavalos foi usada por grandes zootecnistas como  Arraya Gomes,  Flávio Telechea ,  Andrés Sanson, Frederico Téssio, Aga Khan, Frank Butters   e mais recentemente Monty Roberts que se especializou em seleção de potros PSI.

Este último não menciona o paralelismo, dando  prioridade à semelhança dos vértices dos triângulos formados pela extensão imaginária  das alavancas, o que na realidade é uma consequência  das linhas paralelas oblíquas e verticais defendidas por Sandon já em 1910.

CAVALO COM BOAS ANGULAÇÕES EXCETO PEQUENO DESVIO NO GARRÃO

Este é um tema que a primeira vista parece complexo, mas na realidade é muito simples, óbvio até  e que por sua simplicidade muitas vezes é completamente esquecido ou relegado a segundo plano, com consequências graves na seleção.


 FIGURA 2 AS PERFEIÇÕES
 
 Uma revisão nas angulações de nossas éguas, e principalmente nos garanhões pode nos revelar surpresas.

fonte:Cavalo Crioulo OK

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Chile abandona a FICCC

CRIOULO OU CHILENO - A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

  

É  lamentável  a saída do Chile da FICCC sob o ponto de vista estratégico  e de integração regional, representando sem dúvida um retrocesso  no projeto de internacionalização do cavalo sul americano.
Há dois aspectos a serem analisados o zootécnico e o institucional da marca CRIOULO.
Sob o ponto de vista zootécnico , com certeza nossos amigos transandinos tem muito mais a perder que nós outros.
Enquanto nos aproveitamos da heterose propiciada pelo cruzamento, eles não foram competentes o suficiente para ter o mesmo resultado ao revés ( cruzamento com crioulos).
Está claro que as linhas de sangue mais importantes do Chile, há muito tempo foram introduzidas nos países FICCC,  que com criadores  de visão e mente aberta , souberam tirar proveito dessa genética, produzindo um cavalo superior aos seus ancestrais originais.
Outro ponto importantíssimo  a ser levado em conta sob o ponto de vista genético, é a origem dos reprodutores  chilenos que  realmente tiveram papel melhorador em nossas manadas.
Curiosamente a maioria absoluta eram cavalos de origem Aculeguana ( Criadero Aculeo) e La Invernada ( esse consequência daquele). Somente dois  cavalos   - Señuelo e Comediante- que a meu ver foram decisivos no melhoramento  fogem dessa regra, mesmo assim a partir da 4ª e 5ª gerações contam com Cristal e Quebrado projetando uma “linebreeding “ na origem Aculeguana.

Ocorre que esses criaderos não existem mais  e o maior número dos descendentes geneticamente mais próximos oriundos do Aculeo e La Invernada , seguramente estão no Brasil  e na Argentina.
Nunca é demais lembrar também, que o grande avanço ocorreu com os produtos  F1 ( meio sangue) até no máximo  com os F2 ( 3\4 ) , o que revela nitidamente a expressão da HETEROSE, como já analisamos em postagens anteriores.
Dessa maneira, o que tínhamos de aproveitar geneticamente já o fizemos, o resto é perfumaria. Exceção  aos de origem La Invernada além dos outros dois citados,  o resto ( maioria absoluta) não acrescentou nada em nossas manadas, pelo contrário, introduziram uma série de caracteres indesejáveis que hoje são facilmente identificados como: falta de tipicidade e harmonia, alçada, estrutura perímetro toráxico, resistência e rusticidade.
Há que se ressalta em primeiro plano  a  falta de visão zootécnica por parte dos chilenos, e o extremo conservadorismo e nacionalismo , contrastando com o nosso excesso de “liberalismo”, quando  adotamos sem limites,  uma opção genética que ao fim e ao cabo, não nos garantiu a manutenção de  nossa  marca  “CRIOULO” .
A declaração peremptória do Chile -chileno sim, criollo não- sem dúvida nenhuma prejudica
 “ a imagem institucional” do Cavalo Crioulo como MESTIÇO.
O uso e abuso por parte dos leiloeiros  da expressão CHILENO PURO,  como condição qualitativa de venda, passa agora a ser depreciativa  já que  Cavalo Chileno não é Crioulo?
Nós juramos de pés juntos que CHILENO  é CRIOULO,  já  os chilenos  afirmam categoricamente o contrário : CHILENO SIEMPRE - CRIOLLO NO!
Tecnicamente por definição, somos na melhor das hipóteses MESTIÇOS ,e os cavalos chilenos  nascidos no Brasil TRANSFORMAM-SE EM CRIOULOS, como num passe de mágica, ou por CIDADANIA ADQUIRIDA .
Daí vem o prejuízo para a “imagem institucional” a que me referi  anteriormente.
De certa maneira perdemos nossa identidade CRIOULA  a partir do momento que exageramos na dose dos cruzamentos, e mais ainda, quando supervalorizamos com objetivos meramente comerciais, o simples fato da origem chilena, como se isso bastasse para definir qualidade ou garantia de sucesso.

Só nos faltou  sairmos dançando a cueca chilena, pois chapéus ponchos e arreios, completaram a pantomima ditada pela “moda chilena” que assolou os crioulistas brasileiros.
Nossos irmãos argentinos e uruguaios  sabiamente foram mais cautelosos ,usaram a genética chilena mas ainda conservaram manadas livres, possibilitando um “retorno às origens”  e abstiveram-se de  enfatizar a origem como argumento comercial.
Quando formos indagados se um cavalo é crioulo ou chileno qual será nossa resposta?
Parece muito simples mas não é.
Fui questionado por um  criador sobre uma situação hipotética ( não me pareceu tão hipotética )  : Uma conspiração chilena!
Minha primeira reação, foi dizer a ele que estava assistindo muito filme de espionagem, ou lendo demais a Mario Puzzo.

Com a insistência de meu amigo em sua hipótese, comecei a considerar a remota possibilidade dela ser verdadeira . Realmente algumas circunstâncias apontam nessa direção, senão vejamos:
Os compromissos com a FICCC somente deram problema quando os primeiros cavalos de origem estrangeira  começaram a entrar no Chile.
A negativa da Federação de Rodeo na participação de animais estrangeiros.
A gota d’água foi o decreto presidencial que sepultou a possibilidade da inclusão do nome CRIOLLO na nomenclatura da raça Chilena.
Os argumentos apresentados pela delegação do Chile na FICCC são no mínimo  hilariantes para não dizer primários demais: 
Alegaram que não tem competência para cumprir os acordos que assinaram.
Que os registros genealógicos pertencem a três ou quatro outras instituições.
Que não tem poder de decidir sobre as provas chilenas, e por fim o nome CRIOLLO não era possível ser incluído pelo decreto do governo.
E para arrematar : que não sabiam disso.
Ora minha gente! 
Como é que assinam um documento que estão impedidos de cumprir?
Durante todo esse tempo ninguém soube que era incapaz de firmar esses compromissos?
É muito difícil acreditar nisso!
Por essas razões a teoria da conspiração de meu amigo começa a ter algum fundamento, mormente depois de trinta anos de propaganda gratuita feita pelos brasileiros, que tornaram conhecido um cavalo que até então vivia enclausurado entre os Andes e o Pacífico.
No momento de maior expansão da Raça Crioula dentro e fora do Brasil, nós perdemos um pouco de nossa identidade, pelo menos teoricamente aos olhos de novos criadores e usuários que pretendemos conquistar nessas novas áreas, poderemos  ficar na situação incômoda de oferecer MESTIÇOS, ao passo que os chilenos oferecem  os PUROS .
 Os chilenos de parceiros tornaram-se da noite para o dia nossos principais concorrentes em potencial, e o pior, aproveitando-se do enorme e exagerado “marketing” que nós crioulista construímos nestes últimos trinta anos para o CABALLO CHILENO.
Se olharmos por esse prisma, a “jogada estratégica” dos chilenos cheira a conspiração, que embora soe meio fantasiosa, não está de maneira nenhuma fora de questão, mesmo porque para eles não resta outra opção.
Se houve  a conspiração deve ter muito chileno rindo de nossa cara, se não houve, somente o tempo dirá ,  enquanto isso temos que parar de puxar  brasa para a sardinha alheia e defender nossa marca : CAVALO É  CRIOULO   - CHILENO SÓ PARA TEMPERO.

fonte: Cavalo Crioulo OK